A visão por dentro II

Estamos nos aproximando da reta final do  #MoveTeresina, antes disso, um breve resumo: a Agência Francesa de Desenvolvimento, em parceria com a Systra e Prefeitura de Teresina, lançaram o Desafio #MoveTeresina, com o objetivo de otimizar o transporte público da cidade por meio de soluções digitais. Após dois workshops, três equipes tiveram os projetos selecionados para serem desenvolvidos durante seis meses: Jaegers, com o Painel de Informações em tempo real (Dashboard), Prontuário do Busão e a solução para otimizar a manutenção da frota e OpTime com o projeto de otimização das linhas de ônibus. 

Faltando alguns ajustes para os protótipos ficarem prontos, fomos conversar com os “donos do projeto”, que ajudam no desenvolvimento junto às equipes, e vão executar os protótipos no transporte público de Teresina, para saber qual é a expectativa deles em relação ao que já foi apresentado e como foram os trabalhos até aqui.

Nessa segunda parte conversamos com o Técnico Operacional da STRANS e “dono do projeto” da equipe Prontuário do Busão. Ao ser indagado sobre como foi o caminho para se chegar ao que estava sendo demandado, Derrick explica que além dele e dos integrantes da equipe, as reuniões, que foram várias, cada setor fez suas pontuações. “Apesar de ser o dono do projeto, não sou o único participante. Nós temos um empresário (Jean) , colaboradores (motoristas e cobradores) e Prefeitura (Derrick), cada um abordou as soluções sobre suas percepções, agregando todas, a coisa foi se aperfeiçoando.

O tempo de execução dos serviços e a transparência nos dados, foram os dois principais desafios da equipe, “Como é que você pode refletir aquilo diretamente para o usuário e como canalizar essas informações para a prefeitura? A partir desses pontos nós podemos alinhar estratégias que seriam pertinentes para o Prontuário do Busão”.

Como é que você pode refletir aquilo diretamente para o usuário e como canalizar essas informações para a prefeitura?

Derrick Nunes – Técnico Operacioal STRANS

De acordo com Nunes, caso a solução seja uma das selecionadas pela Prefeitura, a adaptação pelos colaboradores e empresas não se´ra um problema. “É um processo bem simples, bem prático. A forma antiga era feita com muita morosidade, preenchimento de formulário, comunicação interna, esse formato será abolido. Claro que há uma resistência, tem que haver uma reciclagem do corpo operacional para o uso da ferramenta, mas creio que isso não vá ser uma dificuldade. No primeiro momento pode ser um empecilho, mas dá pra se habituar quando se usa na prática, até porque, o aplicativo é bem prático. Abrir ordem de serviço, acompanhar status, informações bem claras e diretas que qualquer um consegue distinguir. Se o projeto for implantado hoje, nós temos 90% de chance de ser um acerto em que todos vão se beneficiar, a empresa, os colaboradores, usuário e a Prefeitura.”

Perguntado se o projeto é uma novidade, Derrick, que é arquiteto e urbanista, afirma que já tivera contado com a parte e inovação, “trabalhei na área de urbanismo e mobilidade urbana, voltados para o Plano Diretor. Mas dentro do contexto do Desafio, boa parte são de novidades e outras familiares. Por ser arquiteto e urbanista, não é um mundo tão estranho.”

 “É um processo bem simples, bem prático. A forma antiga era feita com muita morosidade, preenchimento de formulário, comunicação interna, esse formato será abolido”

Derrick Nunes – Técnico Operacioal STRANS

Um ponto sensível que envolve a tecnologia, é a adaptação da empresa de transporte. Funcionários podem achar que serão demitidos, porque uma nova ferramente será implantadam, mas ao contrário do que a inovação pode gerar, Derrick afirma que houve uma preocupação nesse quesito: “Tem operadores do sistema que estão aqui há mais de 30 anos, então menos por conta da idade e mais pela falta de interesse de se atualizar. Em uma das conversas foi colocado que é preferível a reciclagem do que a demissão, porque esses funcionários sabem onde estão outros pontos sensíveis que devem ser analisados. Nós traçamos um plano de comunicação para buscar um melhor entendimento de como as coisas vão funcionar. Em todo lugar tem pessoas que têm mais facilidade em trabalhar com celulares e aplicativos, ela poderão ajudar os outros colegas. Essa ferramenta não vai ser implantada de imediato, será algo de médio e longo prazo, e vamos buscar fazer isso de forma gradativa.”

 “Tem operadores do sistema que estão aqui há mais de 30 anos, esses funcionários sabem onde estão outros pontos sensíveis que devem ser analisados.”

Derrick Nunes – Técnico Operacioal STRANS

Levantamos a importância de explicar para o usuário, que apesar de não ser direcionado para o passageiro, a ferramenta vem para melhorar o setor como um todo, de quem está fazendo a manutenção até quem fica no ponto aguardando o ônibus. “As pessoas têm que ter o conhecimento de como funciona uma empresa de ônibus, e como são feitos todos os projetos. Nosso objetivo é fazer desse projeto uma vitrine, para mostrar que nós estamos nos preocupando com os usuários, crítica sempre terá. Inicialmente nós temos planos para criar uma comunicação entre o aplicativo desenvolvido pela STRANS e esse da Prontuário, caso seja ele o selecionado pela Prefeitura, estamos estudando uma forma de fazer isso”, conclui Derrick.

Ainda neste ano, haverá a última rodada para as equipes mostrarem as melhorias nos projetos. Até lá acompanhe nossas redes sociais e siga atualizado para mais novidades.

A visão por dentro

Estamos nos aproximando da reta final do  #MoveTeresina, antes disso, um breve resumo: a Agência Francesa de Desenvolvimento, em parceria com a Systra e Prefeitura de Teresina, lançaram o Desafio #MoveTeresina, com o objetivo de otimizar o transporte público da cidade por meio de soluções digitais. Após dois workshops, três equipes tiveram os projetos selecionados para serem desenvolvidos durante seis meses: Jaegers, com o Painel de Informações em tempo real (Dashboard), Prontuário do Busão e a solução para otimizar a manutenção da frota e OpTime com o projeto de otimização das linhas de ônibus. 

Faltando alguns ajustes para os protótipos ficarem prontos, fomos conversar com os “donos do projeto”, que ajudam no desenvolvimento junto às equipes, e vão executar os protótipos no transporte público de Teresina, para saber qual é a expectativa deles em relação ao que já foi apresentado e como foram os trabalhos até aqui.

O Gerente de Planejamento da STRANS, Felipe Leal, é o “dono do projeto” da Optime, perguntado sobre como foi recebida a notícia de que haveria um projeto voltado para melhorar o transporte público, ressalta que todos gostaram da ideia, “nós da STRANS, recebemos de bom grado a notícia do projeto, e, temos uma expectativa muito boa, principalmente porque ele vai trazer melhorias para o transporte público de Teresina. Nós estamos passando por dificuldades, quanto mais projetos aparecerem, melhor para a cidade e para os usuários, que é o mais envolvido.” 

“A cidade tem que crescer junto com o transporte público”

Para ele, o projeto da Optime vai além da otimização de rotas, “tem a ver com redução de custos, tanto para a prefeitura como para os operadores do Sistema de Transporte”. Felipe explica que Teresina está crescendo muito, e com isso a população está ficando desassistida, “a cidade tem que crescer junto com o transporte público, então a otimização dessas vias e rotas irá nos ajudar muito a beneficiar essa parte da população que está crescendo junto com a cidade, então eu creio que a prefeitura e a população só tendem a ganhar com esse projeto”, conclui.

Vinicius Rufino, coordenador executivo da SETUT, afirma que apesar de cada projeto ter um foco específico, todos buscam a melhora do sistema, “temos acompanhado os projetos, sempre buscando soluções que possam trazer uma eficiência do sistema. O trabalho de roteirização, de revisões de itinerário, de acompanhamento de manutenção de veículos, tudo isso tem o viés econômico, da eficácia do sistema. A nossa perspectiva (em relação aos projetos), é encontrar ferramentas que possam auxiliar nesse trabalho dinâmico: reduzir custos, trazer um melhor serviço para o usuário, de um modo que impacte menos nas operadoras”, ressalta.

“Tudo isso tem o viés econômico, da eficácia do sistema”

Sobre a expectativa de impacto do projeto na rotina do transporte público, Rufino explica que ainda há um certo “acanhamento” do usuário em voltar para o sistema, “nesses próximos dias estaremos fazendo um incremento de frota já visando uma oferta melhor para o usuário. Nossa expectativa é de que na medida que o usuário volte, vamos está precisando de ferramentas de apoio”. Devido a pandemia de COVID-19, as cidades tiveram que adotar medidas sanitárias, entre elas, o isolamento social, o que fez com que o fluxo de usuários e de veículos fosse reduzido.

Um dos desafios, é como informar ao usuário de que uma novidade que será usada pela gestão só tem a beneficiá-los, “Existe uma questão que está implícita. O cidadão, sendo usuário de ônibus ou não, ele enxerga mais a qualidade do veículo, do equipamento. A primeira impressão que passa para um usuário, é de que os melhoramentos realizados devem ser: ônibus com ar condicionado, ou um veículo novo, mas não é bem assim.”

Quanto melhor e menos tempo o usuário passa dentro do sistema, melhor é a percepção de que o sistema está adequado. Pode aumentar a frota 10 vezes! Se ela não tiver uma organização, vai continuar a ter problemas,”

“Veja só: quando a gente fala em uma operação com a velocidade maior, um usuário que passa menos tempo no sistema vai sentir menos a necessidade de um ônibus com ar condicionado. Quanto melhor e menos tempo o usuário passa dentro do sistema, melhor é a percepção de que o sistema está adequado. Pode aumentar a frota 10 vezes! Se ela não tiver uma organização, vai continuar a ter problemas,” explica Vinicius.

Quando se começa a otimizar a gestão do transporte público na cidade, o público e a Prefeitura passam a olhar para outros setores do segmento, que precisam de constante atualização, tanto do lado da gestão como do conforto do passageiro. Para Vinicius essas etapas devem ocorrer simultaneamente, “a estrutura viária (faixas exclusivas), talvez não entre de imediato, tem que ser trabalhada em paralelo. Na região central nós temos os corredores, que podem ser que estejam precisando de uma atualização. Nos outros bairros temos uma situação mais complicada que precisa de um melhoramento, porque ônibus desgasta as ruas com o tempo”.

 “A tecnologia vem para auxiliar, mas não dá pra falar de um sem os outros”

O Desafio #MoveTeresina, mostrou vários pontos soltos no sistema e que existem pessoas que podem criar ferramentas para ajudar. “A tecnologia vem para auxiliar, mas não dá pra falar de um sem os outros. Infraestrutura, por exemplo, se a via não for preparada para receber um ônibus, mais cedo ou mais tarde ela vai sucumbir. E eu preciso de uma solução atrelada a outra”, conclui Vinicius.

Ainda neste ano, haverá a última rodada para as equipes mostrarem as melhorias nos projetos. Até lá acompanhe nossas redes sociais e siga atualizado para mais novidades.

1ª Conferência/Concil [Blockchain/OI Teresina]

Em agosto foi realizado a 1ª Conferência do Desafio #MoveTeresina, teve como principal objetivo discutir o progresso das equipes no desenvolvimento dos projetos e o levantamento de informações para decisões estratégicas sobre as próximas fases.

Nesta reunião foi deliberada a realização de ações de Urbanismo Tático durante o mês de setembro, como atividade integrante do Desafio, envolvendo como tema os projetos em desenvolvimento pelas equipes.

Também ficou estabelecido o incentivo às equipes para possíveis melhorias dos projetos em desenvolvimento visando o maior alinhamento das soluções com as necessidades dinâmicas do sistema de transporte.

Estiveram presentes integrantes da Systra, AFD, Unifor e Prefeitura de Teresina.

Agenda

10h – 10h20 →  Apresentação do status geral dos desenvolvimentos das 3 POC – Apresentação SYSTRA/UNIFOR

10h20 – 11h05 →  Apresentação das 3 equipes, 15 minutos por equipe

11h05 – 11h30 →  Discussão aberta sobre os próximos passos e decisões estratégicas

Participantes

Cintia BARTZ, Prefeitura de Teresina

Suzanne SPOONER, AFD

Fernando PACHECO, AFD

Marina MOSCOSO, Despacio

Carlos Felipe PARDO, Despacio

Mariana Veronica DE MOURA, SYSTRA

Sabina KAUARK, SYSTRA

Luiza SENNA, SYSTRA

Ana Luiza CALDEIRA, SYSTRA

Joan SERRANO, SYSTRA

Ricardo COLARES, UNIFOR

Urban Hack

A Prefeitura de Teresina, em parceria com a AFD e Systra, realizará, de 20 a 22 de setembro, no Palácio da Cidade, o Urban Hack, uma estratégia para testar os três projetos selecionados no Desafio #MoveTeresina. Desta vez, focado numa ação de Urbanismo Tático.

Para participar acesse o link https://www.eventbrite.com.br/e/urban-hack-teresina-2030-tickets-169496367197?ref=estw , a inscrição é gratuita e vai até 15 setembro.


O que é Urbanismo Tático?

Esse termo se refere a um movimento no qual os espaços públicos são repensados. Neles, ocorrem intervenções com a finalidade de aproximar as pessoas do espaço e resolver problemas locais. Assim, é possível determinar que tipo de alteração esses lugares necessitam para que se tornem úteis e melhores. Além disso, as pessoas são incentivadas a viverem mais em comunidade, em um ambiente para todos. (Fonte: https://finger.ind.br/blog/urbanismo-tatico/).

O URBANHACK

A ação deverá englobar o tema dos 3 projetos selecionados do Desafio #MoveTeresina.
O evento será realizado no período de 20 a 22 de setembro e contará com ciclo de palestras e discussões sobre mobilidade urbana e Urbanismo na prática.
O público-alvo são estudantes de áreas como Arquitetura e Urbanismo, Comunicação Social, Geografia, Design e áreas correlatas.


Endereço: Prefeitura de Teresina, Palácio da Cidade, 860, Praça Marechal Deodoro, Centro


Data: 20 a 22 de Setembro

Inscrições: https://www.eventbrite.com.br/e/urban-hack-teresina-2030-tickets-169496367197?ref=estw

Vistoria Tática

A equipe Optime, uma das selecionadas no Desafio #moveteresina, fez uma visita técnica na cidade de Teresina. O objetivo foi levantar informações sobre a eficiência das linhas , e ouvir Sindicato, funcionários e órgãos responsáveis sobre as melhorias que podem ser feitas.

Marcos Caixeta, integrante da Optime, afirma que a visita mais importante foi realizada na parte de planejamento, “percebemos que tem alguns dados que o Sindicato disponibiliza que podem ser aproveitados pela Prefeitura. Com essas informações eu consegui entender como funciona a divisão das linhas dentro da cidade.”

Em seguida foi feito uma pesquisa de campo em um bairro da Zona Norte, onde será implantado uma linha de transporte coletivo. “Essa visita foi importante pra gente planejar e saber como funciona a escolha das paradas, quais as ruas que o transporte vai transitar.” ressalta Caixeta

Em conversas com motoristas, ele afirma que a categoria está preocupada com a permanência no transporte público. “Eles se mostraram bem preocupados com a manutenção do transporte público, alguns levantaram a possibilidade de sair do mercado pois vários colegas foram demitidos.”

Durante essa pesquisa de campo, a equipe percebeu ações do transporte clandestino na cidade. Caixeta afirma que um dos pontos da otimização da solução criada por eles pode desmotivar o transporte clandestino. “Se o transporte coletivo conseguir atender bem a população com um custo razoável a gente consegue reduzir o impacto do clandestino.”

Em reunião com representantes da Setut e da empresa Cidade Verde, foi abordado o processo pra entender como está sendo a operação da empresa hoje. Alguns dos pontos abordados foi como a empresa se relaciona com a Prefeitura na questão das solicitações de melhorias nas linhas e alteração de intinerante. Com objetivo de entender se seria mais interessante para a Prefeitura ou empresa, a contratação de uma ferramenta de otimização. “Como qualquer alteração nas linhas de ônibus são realizadas pela Prefeitura, então não adianta a empresa recriar todo o processo, se a prefeitura não estiver envolvida com essa ação.” pontua Caixeta.

Na conversa com o representante da empres Cidade Verde, foi mostrado como é calculado o custo mínimo para manter uma linha funcionando. “Nitidamente a gente percebeu que a quantidade de passageiros transportados, está muito abaixo desse limite. O custo da passagem deveria ser um valor mais alto. A empresa cobra um valor mais baixo, com o compromisso de complementação pela Rrefeitura. Esse é o acordo que eles têm de subsídio.”

Para Marcos, um ponto muito importante apresentado pela Setut foi um gráfico demonstrando a demanda e a oferta por transporte. Tem caso de um linha com apenas um veículo, em que a oferta de linhas é muito mais alta do que a demanda. “Isso significa que o ônibus está rodando muito vazio, e isso causa um prejuízo grande com consumo de combustível, de peças e não havendo passageiros não se paga essa operação. Então temos linhas que podem ser repensadas, que é onde a Optime vai ter um grande benefício, porque a nossa ferramenta consegue achatar a curva de demanda e oferta.” Segundo ele o projeto garante isso e o veículo vai rodar sempre com uma demanda específica, e em linhas com um formato diferente haverá uma demanda maior de passageiros de acordo com a oferta.  

Outro fator relevante analisado é o do indicador utilizado nesse transporte, o IPK (Índice de Passageiro por Quilômetro Rodado). “Se tem algum trecho ou linha que tem pouco passageiro por km, esse índice é muito baixo, e é onde nós vamos trabalhar para resolver a melhoria desse indicador.”

Para os integrantes da Optime o produto está sendo desenvolvido no caminho no certo, sendo necessário fazer poucas adaptações para conseguir entregar o que é necessário. “Percebemos que existe uma possibilidade de melhoria das linhas, para evitar excesso de oferta ou demanda, fazendo distribuição melhor dos veículos. As empresas têm passado por um período apertado pela falta de passageiros e faturamento, enquanto passageiros reclamam da falta de ônibus nas ruas.” detalha Caixeta

Para ele com a redistribuição das rotas, será possível deixar mais uniforme o transporte, atendendo a população e garantindo uma manutenção financeira para as empresas, evitando demissões ou falências.

Mão de obra escassa

A demanda por profissionais de tecnologia está em alta no mercado, muito em função da aceleração da transformação digital das empresas. A média salarial acompanha esse aquecimento, reflexo da escassez de mão de obra especializada, em meio às estatísticas recordes de desemprego.

Segundo a Associação das Empresas de Tecnologia da Informação (Brasscon), o Brasil forma anualmente cerca de 45 mil pessoas na área de tecnologia, mas são abertas uma média de 70 mil vagas por ano.

A escassez da mão de obra, no entanto, explica a alta rotatividade entre os profissionais de tecnologia.

Integrante da equipe Optime, Marcos Caixeta, afirmou que teve dificuldades de encontrar pessoas que trabalhem na área de tecnologia. Em Uberlândia, onde mora, foi criado um projeto UberHub Coach Club que tem como objetivo ensinar as teorias de codificação e algoritmo para jovens que ainda estão no ensino médio, a fim de gerar mais mão de obra pra o setor.  “As empresas estão deixando de investir nos alunos da faculdade para investir na garotada do ensino médio para preparar esse aluno para entrar na faculdade e depois ser chamado para estagiar.” afirma Marcos.

Outro ponto relatado por Caixeta é o da competitividade: “o mercado hoje está impraticável!” Segundo ele, devido ao valor alto do dólar, muitos profissionais estão buscando trabalhos como freelancer para ter mais liberdade de trabalhar onde e na hora que quiser, “Está havendo uma competição muito grande de prestação de serviços para fora do país.”

Para o Desafio #moveteresina, Caixeta foi até um site de freelancer para recrutar a equipe. Nove pessoas apareceram, três brasileiros e seis estrangeiros, porém com qualidade muito abaixo do esperado. “O pessoa não se envolveu, e os que se envolveram não sabiam conversar sobre o projeto, foi um levantamento bem ruim. Felizmete eu contratei uma pessoa que já tinha trabalhado comigo em outro projeto. O mercado de tecnologia está muito caro, principalmente para empresas pequenas como a OpTime.”

Para Marcos a expectativa é de torcida para surjam novos profissionais, “A gente vai se virando e torcendo para que apareçam mais pessoas com interesse na área da computação, e torcendo para que essa garotada chegue logo ao mercado de trabalho, pois, estamos precisando.” 

Já Duany Dreiton da equipe Jaegers, conta que teve sorte, já que não houve falta de profissionais em nenhuma área na sua equipe. Professor desde 94, ele afirma que sempre houve esse déficit de mão de obra na área de TI, “Essa é uma realidade constante, e, a medida que a área de TI vai abrangendo outras áreas, é notório hoje tudo depender da área de TI, desenvolvimento, software e hardware, e tudo acontece em uma velocidade muito grande que as formações profissioanis não acompanham, elas não acontecem do dia para a noite.”

Atualmente demora em média quatro anos para um profissional se formar na faculdade e três anos para formação em um curso técnico, “A formação é um pouco lenta e as transformações do mercado acontecem muito rápido. Em seis meses já há uma mudança drástica de perfil das tecnologias, o que vale hoje pode não valer daqui a seis meses, a economia demanda outro tipo de profissional.” conclui Duany 

Da teoria para a prática

O Desafio #moveteresina não acabou. A etapa agora é de desenvolvimento dos protótipos (POCs), ou seja, colocar em prática as ideias que haviam sido criadas e aperfeiçoadas. As equipes Jaegers, Optime e Prontuário do Busão assinarão um contrato com a Systra para o financiamento dos POCs e terão a responsabilidade de desenvolver suas propostas completas e totalmente funcionais no prazo de 5 meses.

Para isso, foi estabelecido o uso de Metodologia Ágil de desenvolvimento de projetos, denominada Scrum, mundialmente utilizada e apropriada para projetos de inovação. As equipes tiveram o acompanhamento técnico de um gestor de projetos (Scrum Master) e a participação de representantes do sistema de transporte de Teresina para validação das soluções parciais e final.

A organização do Desafio #moveteresina ofereceu um treinamento específico sobre a metodologia Scrum para todos os participantes das equipes. O treinamento ocorreu entre os dias 24 e 29 de maio, realizado de forma remota.

Mas o que é essa Metodologia Scrum? 

Ela consiste em propor o desenvolvimento de soluções complexas em pequenas partes a serem desenvolvidas em um curto intervalo de tempo, denominado “sprint”. Para o Desafio #moveteresina ficou determinado o intervalo de 15 dias para realização das “sprints”. A Metodologia Scrum prever, a evolução do projeto de forma incremental e interativa, trazendo resultados melhores e de forma mais rápida.

A metodologia orienta a realização de reuniões sistemáticas e com propósitos bem definidos como  reuniões rápidas diárias de cada equipe, com a participação de todos os integrantes, com duração máxima de 15 minutos.

Também estão previstas  reuniões de planejamento e retrospectiva com todas as equipes com a presença do Scrum Master, realizadas a cada “sprint” , isto é, de 15 em 15 dias;

Reuniões de revisão com a participação de representantes do sistema de transporte de Teresina para avaliação dos resultados parciais, realizadas quinzenalmente.

Para a implementação adequada, as equipes usarão ferramentas computacionais já utilizadas em projetos de desenvolvimento de softwares como o JIRA, GITHUB, CONFLUENCE e DISCORD.

Conheça os projetos classificados

O Otimizador de Rotas da equipe OpTime, propõe um software para otimizar as linhas de ônibus em Teresina, considerando a mudança de rotas e localização de paradas de ônibus ou ainda sugerir a mudança da capacidade ou quantidade dos ônibus por linha. O sistema poderá ser utilizado para replanejamento do sistema, por meio de simulações, visando a redução dos custos operacionais. Quando implantado, o sistema poderá trazer uma redução do tempo das viagens bem como o tempo de espera pelos usuários.

A equipe Prontuário do Busão apresenta um software (aplicativo) voltado para acompanhamento das manutenções dos ônibus, considerando manutenções preventivas, preditivas e corretivas. O aplicativo será operado pelos motoristas para atualizar o estado de conservação e funcionamento do ônibus e possibilitará comunicação com a garagem para cruzamento de informações de manutenções já realizadas visando atestar as condições do veículo e controlar o fluxo das manutenções a serem realizadas. Quando implantado, permitirá o melhor controle do estado de manutenção da frota, redução no número de acidentes e paralisações não programadas da frota e trará maior segurança no transporte de passageiros.

E por fim, a equipe Jaegers propõe o DashBus. Um software para acompanhar indicadores de qualidade e desempenho do sistema de transporte de Teresina, apresentando os principais indicadores de forma gráfica para facilitar a visualização e seu entendimento. O acompanhamento dos indicadores operacionais do sistema se mostra útil não só para a tomada de decisão por parte da gestão pública do transporte, mas também para a população em geral, trazendo maior transparência. O uso de recursos de Inteligência Artificial previsto na proposta, permitirá extrair padrões e informações relevantes acerca da operacionalização do sistema de transporte coletivo, além de possibilitar a identificação de potenciais ameaças, bem como sua mitigação, antes que essas se tornem problemas reais.

Fique atento para as datas

Desenvolvimento de Protótipos: 31/05 até 29/10

Treinamento da Metodologia Ágil Scrum: 24/05 até 29/05 

Classificação do Workshop 2

Parabéns à todas as equipes! Temos certeza que vocês se esforçaram muito!

Para as 3 primeiras colocadas, o Desafio#oveteresina ainda não acabou! Agora é hora de colocar em prática as suas ideias.

Em parceria com a Systra, Prefeitura e financiamento do Programa EUROCLIMA+, as equipes Jaegers, Prontuário do Busão e OpTime, terão 5 meses para desenvolver o protótipo e executar o projeto na cidade de Teresina.

Fim do Workshop 2

Chegou ao fim, na última sexta feira (30/04), mais uma fase do Desafio #moveteresina.

Agradecemos ao mais de 50 participantes que compareceram ao Workshop 2. Foram mais de 30 mentorias realizadas, com mais de 14 mil mensagens e 200 minutos de interações no Discord.

É com imensa satisfação, que ressaltamos, que sem o apoio dos mentores, não seria possivel realizar o Desafio em toda sua plenitude.

Obrigado à todos. O resultado do Workhop 2 será divulgado segunda feira (10/05).

Fique ligado! Não durma no ponto!

Entrevista com Duany Sousa da equipe Jaegers

Vamos dar continuidade a série de entrevistas com integrantes das equipes classificadas para o Workshop 1.

Hoje é a vez de Duany Sousa, engenheiro de software, professor e pesquisador. Isabelle Antônia, Marcelo Ricardo, Davi Saraiva, João Carlos e Kairo Emannoel compõem a equipe Jaegers, que escolheram o desafio “Medição dos Indicadores de Qualidade e Performance”

A equipe Jaegers desenvolveu uma ideia que, resumindo, é um painel interativo para acompanhamento por parte dos gestores, da medição dos indicadores de qualidade e performance. “É um dashboard interativo, onde você tem acesso às informações mais importantes de uma forma visível, clara e direta.” explica Duany.

Ele ressalta que a ideia é que o gestor consiga identificar problemas, à medida que eles surgem. “Por trás do painel estaria rodando algoritmos de inteligência computacional, para trazer uma análise baseada em inteligência de dados. Em vez de o gestor ter que ir buscar os dados dentro do sistema, o dashboard, através de inteligência computacional, vai avisar os gestores, através de e-mails, whatsapp e notificações.

A ideia da equipe, além de abordar o Desafio III, também pode ser usada para o Desafio I.

O momento mais difícil foram dois, aponta Duany, o primeiro foi perceber que a ideia inicial teria que ser alterada, pois não atendia o que os mentores estavam mostrando. “De segunda a terça a gente passou várias horas decidindo como enquadrar nossa ideia ao Desafio. Antes tinha um foco no usuário, mas o gestor também precisa ter atenção e suporte para que as melhorias sejam feitas.”

O segundo foi na quinta feira, na véspera do prazo para entregar o projeto. “Um mentor chegou dando uma perspectiva totalmente diferente sobre nosso projeto. E aí, mudar ou não? Fizemos a análise e percebemos que o problema levantado era justamente, a falta de informação do gestor municipal.

Sobre a classificação para o Workshop 2, Duany conta que “a esperança é algo que eu me agarro com todas as forças…a sensação é que vou sempre ser escolhido, porque a gente dá o melhor de si, mas sempre é uma surpresa grata ver seu nome na lista.” Um exemplo disso é que mesmo com a apresentação pronta dias antes do prazo, a equipe entregou o pitch 4 minutos antes do prazo final.

Para a próxima fase a equipe está focada em trabalhar melhor a ideia. “Estamos refinando, levantando os dados que são importantes para a nossa ideia, pra quando iniciar a próxima fase, já estarmos mais preparados. A gente está muito animado, motivado ao máximo.” ressalta Duany. O foco é tanto que ele não pode ver um ônibus que já pensa nos indicadores e no Desafio.

São dois os motivos que levaram os integrantes da Jaegers a se inscreverem. “A equipe tem um perfil muito parecido, que é o de tentar construir soluções. O poder público dá a infraestrutura, mas as soluções vêm da população que sente aquelas dificuldades.”

“Sempre pensei em buscar resolver problemas da sociedade. Mobilidade urbana é um tema que eu sempre quis abordar. A parte de transporte público é cercada de segredos, nos portais as informações são confusas. Quando apareceu o Desafio, nós vimos a oportunidade de trabalhar junto ao gestor, apoiar o gestor para ele resolver os problemas e facilitar a vida do público.”

O outro motivo faz parte de um sonho de Duany é que a cidade tenha um transporte público de qualidade para que as pessoas deixem os carros em casa, “hoje você classifica uma pessoa que pega ônibus, como alguém que não tem condições de ter um carro. Carro é o símbolo de sucesso na nossa sociedade, e isso me traz tristeza.”