A visão por dentro

Estamos nos aproximando da reta final do  #MoveTeresina, antes disso, um breve resumo: a Agência Francesa de Desenvolvimento, em parceria com a Systra e Prefeitura de Teresina, lançaram o Desafio #MoveTeresina, com o objetivo de otimizar o transporte público da cidade por meio de soluções digitais. Após dois workshops, três equipes tiveram os projetos selecionados para serem desenvolvidos durante seis meses: Jaegers, com o Painel de Informações em tempo real (Dashboard), Prontuário do Busão e a solução para otimizar a manutenção da frota e OpTime com o projeto de otimização das linhas de ônibus. 

Faltando alguns ajustes para os protótipos ficarem prontos, fomos conversar com os “donos do projeto”, que ajudam no desenvolvimento junto às equipes, e vão executar os protótipos no transporte público de Teresina, para saber qual é a expectativa deles em relação ao que já foi apresentado e como foram os trabalhos até aqui.

O Gerente de Planejamento da STRANS, Felipe Leal, é o “dono do projeto” da Optime, perguntado sobre como foi recebida a notícia de que haveria um projeto voltado para melhorar o transporte público, ressalta que todos gostaram da ideia, “nós da STRANS, recebemos de bom grado a notícia do projeto, e, temos uma expectativa muito boa, principalmente porque ele vai trazer melhorias para o transporte público de Teresina. Nós estamos passando por dificuldades, quanto mais projetos aparecerem, melhor para a cidade e para os usuários, que é o mais envolvido.” 

“A cidade tem que crescer junto com o transporte público”

Para ele, o projeto da Optime vai além da otimização de rotas, “tem a ver com redução de custos, tanto para a prefeitura como para os operadores do Sistema de Transporte”. Felipe explica que Teresina está crescendo muito, e com isso a população está ficando desassistida, “a cidade tem que crescer junto com o transporte público, então a otimização dessas vias e rotas irá nos ajudar muito a beneficiar essa parte da população que está crescendo junto com a cidade, então eu creio que a prefeitura e a população só tendem a ganhar com esse projeto”, conclui.

Vinicius Rufino, coordenador executivo da SETUT, afirma que apesar de cada projeto ter um foco específico, todos buscam a melhora do sistema, “temos acompanhado os projetos, sempre buscando soluções que possam trazer uma eficiência do sistema. O trabalho de roteirização, de revisões de itinerário, de acompanhamento de manutenção de veículos, tudo isso tem o viés econômico, da eficácia do sistema. A nossa perspectiva (em relação aos projetos), é encontrar ferramentas que possam auxiliar nesse trabalho dinâmico: reduzir custos, trazer um melhor serviço para o usuário, de um modo que impacte menos nas operadoras”, ressalta.

“Tudo isso tem o viés econômico, da eficácia do sistema”

Sobre a expectativa de impacto do projeto na rotina do transporte público, Rufino explica que ainda há um certo “acanhamento” do usuário em voltar para o sistema, “nesses próximos dias estaremos fazendo um incremento de frota já visando uma oferta melhor para o usuário. Nossa expectativa é de que na medida que o usuário volte, vamos está precisando de ferramentas de apoio”. Devido a pandemia de COVID-19, as cidades tiveram que adotar medidas sanitárias, entre elas, o isolamento social, o que fez com que o fluxo de usuários e de veículos fosse reduzido.

Um dos desafios, é como informar ao usuário de que uma novidade que será usada pela gestão só tem a beneficiá-los, “Existe uma questão que está implícita. O cidadão, sendo usuário de ônibus ou não, ele enxerga mais a qualidade do veículo, do equipamento. A primeira impressão que passa para um usuário, é de que os melhoramentos realizados devem ser: ônibus com ar condicionado, ou um veículo novo, mas não é bem assim.”

Quanto melhor e menos tempo o usuário passa dentro do sistema, melhor é a percepção de que o sistema está adequado. Pode aumentar a frota 10 vezes! Se ela não tiver uma organização, vai continuar a ter problemas,”

“Veja só: quando a gente fala em uma operação com a velocidade maior, um usuário que passa menos tempo no sistema vai sentir menos a necessidade de um ônibus com ar condicionado. Quanto melhor e menos tempo o usuário passa dentro do sistema, melhor é a percepção de que o sistema está adequado. Pode aumentar a frota 10 vezes! Se ela não tiver uma organização, vai continuar a ter problemas,” explica Vinicius.

Quando se começa a otimizar a gestão do transporte público na cidade, o público e a Prefeitura passam a olhar para outros setores do segmento, que precisam de constante atualização, tanto do lado da gestão como do conforto do passageiro. Para Vinicius essas etapas devem ocorrer simultaneamente, “a estrutura viária (faixas exclusivas), talvez não entre de imediato, tem que ser trabalhada em paralelo. Na região central nós temos os corredores, que podem ser que estejam precisando de uma atualização. Nos outros bairros temos uma situação mais complicada que precisa de um melhoramento, porque ônibus desgasta as ruas com o tempo”.

 “A tecnologia vem para auxiliar, mas não dá pra falar de um sem os outros”

O Desafio #MoveTeresina, mostrou vários pontos soltos no sistema e que existem pessoas que podem criar ferramentas para ajudar. “A tecnologia vem para auxiliar, mas não dá pra falar de um sem os outros. Infraestrutura, por exemplo, se a via não for preparada para receber um ônibus, mais cedo ou mais tarde ela vai sucumbir. E eu preciso de uma solução atrelada a outra”, conclui Vinicius.

Ainda neste ano, haverá a última rodada para as equipes mostrarem as melhorias nos projetos. Até lá acompanhe nossas redes sociais e siga atualizado para mais novidades.

Compartilhe:

Últimas Notícias